O preconceito x rosa choque

Na cidade de Lula, no país do rosa choque de Rita Lee, numa universidade, no dia 22 de outubro, a estudante Geysi Arruda teve que sair escoltada pela Polícia Militar para livrar-se de agressões de seus colegas. Ela usava um vestido curto e justo, o que motivou expressões de bárbaro preconceito e discriminação. Ao invés de defendê-la e estabelecer punições aos agressores, neste caso rapazes e moças, a Universidade Bandeirantes (UNIBAN), campus de São Bernardo do Campo, recomendou a Geisy o uso de roupas mais discretas e a expulsou da Universidade, para depois, em face da repercussão negativa, revogar este ato.
O caso ganhou alcance nacional ao ser noticiado, sendo comparado ao tempo das fogueiras da Idade Média, quando as mulheres eram queimadas por sua sabedoria e por sua forma de vida.
Na Nicarágua, por sua vez, as coordenadoras da Campanha 28 de Setembro pela Despenalização do Aborto e lideranças do movimento feminista naquele país, sofreram golpes, torturas, levadas presas por crime de pensamento.
Estamos em 2009, mas a impressão é de que há risco permanente de volta ao passado, antes da Revolução Francesa quando se reconhecem os direitos individuais, e antes de 1948, quando se aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No caso da jovem brasileira, está protegida por um imenso arcabouço legal –  entre outras, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir, e Erradicar a Violência contra a Mulher, da OEA (Convenção de Belém do Pará) e pela Lei Maria da Penha.
Mas além dos aspectos punitivos que um caso desse deve suscitar, é preciso que a sociedade brasileira repense seus valores. Um caso como de Geysi demonstra que vivemos sob padrões culturais atrasados, que negam às mulheres o direito à autonomia, que as julgam pela forma como se apresentam, alimentando e legitimando outras violências de gênero.
Estamos no emblemático mês em que celebramos o Dia da Não Violência Contra as Mulheres, 25 de Novembro. Basta olhar para os lados e ver que avançamos muito em relação ao tempo em que a violência contra a mulher não era reconhecida; mas estamos muito longe do fim da violência, dos preconceitos e discriminações. O estado brasileiro é chamado a  cumprir seu papel. E a sociedade também.

A Rede Feminista apóia o Manifesto em Defesa da Autonomia lançado pelas mulheres de São Bernardo do Campo, e pede que assinaturas de apoio sejam enviadas para:  manifestodefesaautonomia@gmail.com