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Ano 1 - - nº 07 - - 28 de maio de 2008 - - Porto Alegre - -Rio Grande do Sul - - Brasil

28 DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DE AÇÃO PELA SAÚDE DA MULHER
DIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA

EDIÇÕES ANTERIORES
 

"Em nome de Deus",
escultura de
Jens Galchiot

feita in memoriam
das vítimas do Fundamentalismo

 
 

Secretária Executiva
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BOLETIM DA CAMPANHA
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VISITE TAMBÉM:
AMATERNA
RSMLAC
campanha pela convenção
campanha 28  de setembro
CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR
Fórum Social da Saúde
Aborto inseguro, violência e aids: os desafios para a redução da mortalidade materna
A Rede Feminista de Saúde aponta que a falta de qualidade na assistência ao parto e ao pré-natal é uma das principais causas da morte materna no País. No entanto, chama a atenção para a feminização da epidemia da Aids, para a violência de gênero e para a criminalização do aborto, por evidenciarem graves violações aos direitos humanos das mulheres que influenciam a ocorrência de morte materna. Sem o enfrentamento deste conjunto de desafios, a Rede vê dificuldades para a redução dos índices de mortalidade materna.
Foto Antoninho Perri
 

A articulação reconhece os avanços obtidos através do Pacto para a Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, mas considera pouco provável que o país consiga cumprir o preconizado pela ONU que é redução da mortalidade materna em 75% até 2015. SAIBA MAIS
Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres
O Dia Internacional de Ação Pela Saúde das Mulheres tem como foco os direitos das mulheres à saúde sexual e reprodutiva. E desde 1987, participantes de diferentes organizações e redes vêm aprofundando questões relacionadas à morte das mulheres durante a gravidez, o parto e pós-parto, além das decorrente de abortos realizados em condições inadequadas. MAIS
Foto: Eric Beauchemin
Pelo direito e a liberdade de decidir
A Rede de Saúde das Mulheres Latino- americanas e Caribenhas - RSMLAC está propondo às mulheres e feministas de todo o continente repolitizar as demandas históricas da saúde da mulher como uma forma de conter os avanços dos setores conservadores e fundamentalistas que trabalham contra os direitos das mulheres. LEIA MAIS
ARTIGO/ Telia Negrão
Com o título Violência de Gênero deve ser considerada indicador de Morte Materna, o artigo da Secretária Executiva da Rede Feminista de Saúde, Telia Negrão, apresenta as relações existentes entre os fenômenos violência e mortalidade materna no Brasil com um olhar voltado para a América Latina e Caribe.
A autora destaca que várias investigações relacionam violência e gestação e violência na gestação, no entanto sua ligação direta ou indireta como causa de morte das mulheres no período considerado como de mortalidade materna continua sem a devida abordagem e enfatiza que a morte materna constitui-se numa injustiça social, um grave problema de saúde pública e uma violação aos direitos humanos das mulheres.LEIA O ARTIGO
Redução de mortalidade materna
exige tratamento amplo do problema
Em matéria de Adriana Brendler postada no site da Agência Brasil em 11 de maio de 2008, o coordenador de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde e do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, Adson França, reconhece dificuldades de alcançar a redução da mortalidade materna no Brasil nos níveis propostos pela ONU, mas está otimista. “Vamos reduzir bastante a mortalidade materna até o ano de 2015. Estamos buscando isso de forma persistente e se não chegarmos lá vamos ter a consciência tranqüila de que estamos no caminho, envolvendo gestores e sociedade civil. Se nós tivermos recursos financeiros e gestores mais comprometidos podemos sonhar pelo menos em chegar perto”, afirma. LEIA MAIS
Comentários de Ana Tanaka
são bastante céticos

A enfermeira Ana Cristina d'Andretta Tanaka é uma das mais respeitadas pesquisadoras sobre morte materna no Brasil. Vinculada à USP, fez alguns comentários sobre a passividade da maioria das pessoas frente aos índices da morte materna.
Para ela, se os números são frios "se faz necessário dar vida a eles é isto que os estudos tentam fazer. O que se pode fazer além dos números é convencer as pessoas que estão envolvidas com a assistência materna de que se ela não for de qualidade poderá resultar em danos a saúde por vezes irreversíveis”.
Sobre o impacto da violência nesta fase da vida, ela considera a necessidade de buscar um esforço adicional para chegar-se a constatações empíricas. “Como ocorre pouca violência física, e o que se dá, de modo geral é a psíquica, essa muito difícil de ser denunciada, informada e acreditada. Não sei se a lacuna nesta área será desvelada, talvez se pegar casos exemplares se poderá discutir e informar melhor a sociedade”. No entanto, ao ser perguntada se é possível identificar avanços quanto ao enfrentamento da mortalidade materna no Brasil, sua resposta é curta:" Não, infelizmente não."

Pacto: RFS reforça ações contra mortalidade materna
O Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal tem por objetivo articular os atores sociais mobilizados em torno da melhoria da qualidade de vida de mulheres e crianças.
A Rede Feminista de Saúde, através de suas regionais e filiadas, tem feito inúmeras mobilizações chamando atenção para os coeficientes e a magnitude da mortalidade materna no Brasil.
LEIA MAIS
Mulheres negras são as mais afetadas pela
mortalidade materna
Por ser um sensível fator de desigual- dades sociais, a morte materna se reflete em maior índice na população feminina negra brasileira.
Mulheres negras morrem três vezes mais devido a problemas ligados a gravidez.
Estudiosos apontam discriminação racial no atendimento médico.
SAIBA MAIS
Rede encaminha emendas à Resolução do Eurolat
Emendas sobre saúde sexual e reprodutiva, enfocando morte materna e aborto foram encaminhadas pela Rede Feminista de Saúde ao documento guia da 2ª Sessão Plenária Ordinária da Assembléia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat). Essa reunião ocorreu de 29 de abril a 1º de maio, em Lima, Peru, tendo como pauta o combate da pobreza, da exclusão social e das desigualdades, bem como a preservação do meio ambiente.

A contribuição da RFS a esse documento que remete aos compromissos assumidos pelos países nas Conferências de Cairo e Beijin se deve ao pronunciamento feito durante a audiência pública no Parlamento Europeu em Bruxelas, Bélgica, em 9 de abril último, ao lado de representantes da Nicarágua, Equador, Venezuela, México e Chile.

Na oportunidade, a Entidade fez uma exposição sobre saúde, direitos sexuais, direitos reprodutivos, com destaque para a questão do aborto no País, na América Latina e no Caribe e denunciou a forte pressão que o movimento feminista brasileiro vem sofrendo por parte dos setores conservadores e fundamentalistas
.
MEMÓRIA:
Documento revela o compromisso com a vida das mulheres

A Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – RFS - desde a sua fundação, em 1991, tem o tema da morte materna como uma prioridade de ação política. Atuação que pode ser percebida na manchete da primeira edição do Jornal da Rede (foto), com data de maio de 1992, quando a Organização destacava que a mortalidade materna era uma “tragédia cotidiana”.
Ao recuperar esse documento na atual Campanha 28 de Maio, a Rede sinaliza a sua histórica trajetória, na perspectiva feminista, com o fenômeno das mortes por complicações na gravidez, parto e puerpério Como também reaviva a discussão sobre a banalização e a naturalização da morte materna.

Rede e movimento de mulheres
monitoram a morte materna na Paraíba

Desde 2004, a Regional da Rede Feminista de Saúde da Paraíba em conjunto com o movimento de mulheres e feministas, comitês de mortalidade materna e classe médica vem denunciando os altos índices de morte materna no Estado.
O grave quadro de morte materna tem um marco histórico. Em 2005, num período de 24 dias e comprovando o alto grau de descaso na saúde pública, seis óbitos maternos ocorreram entre mulheres jovens, todas negras, provocados por pré-eclâmpsia, doença hipertensiva da gravidez passível de tratamento. Todas as mulheres haviam realizado pré-natal.
O fato ganhou repercusão no País.O Ministério Público Federal convocou o estado da Paraíba e o município de João Pessoa a cumprirem o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para que fossem definidas providências urgentes.
Há cerca de um mês, a Rede e a entidade filiada Cunha agendaram uma audiência com o Prefeito de João Pessoa. Na pauta, a cobrança do cumprimento de alguns compromissos assumidos por ocasião da assinatura do TAC e avaliação do serviço de apoio às vítimas de violência sexual (aborto legal) oferecida por uma maternidade do município.

Afinal qual é o dado certo?
Movimento de mulheres e feministas debate a escolha do índice de mortalidade materna que deve ser usado. LEIA A MATÉRIA
A mortalidade materna em Porto Alegre
Na capital gaúcha, de acordo com o relatório do Comitê Municipal de Estudos e Prevenção das Mortes Maternas de Porto Alegre – CMEPMM, as duas principais causas de morte materna, em 2007, foram a aids e o tromboembolismo pulmonar. LEIA MAIS
AMATERNA vai parar a Esquina Democrática,
dia 28, em Porto Alegre
AMATERNA
Simone Araújo e Carmem Medeiros, da AMATERNA
Rede Feminista de Saúde, AMATERNA, organizações de mulheres e feministas, promovem, nesta quarta-feira, 28/05, ao meio dia, ato público na Esquina Democrática. As duas organizações querem chamar a atenção para a tragédia denominada morte materna. Em conjunto com a AMATERNA e Themis,
a RFS logrou êxito no desarquivamento do processo sobre a morte de Marina Carneiro, em 2005, que estava fadado a ser extinto. Além disso, através da Regional RS, a Rede atua na investigação de mortes de gestantes no sistema prisional.
SAIBA TUDO
OPINIÃO
Como enfrentar a mortalidade materna no Brasil?
Sandra Valongueiro
As Razões de Mortalidade Materna estimadas pelo Ministério da Saúde (54 por 100.000 nascidos vivos, sem fator de correção e 74 por 100.000 nascidos vivos, com fatores de correção) colocam o Brasil numa posição intermediária entre os paises desenvolvidos e os países em desenvolvimento...
LEIA A ÍNTEGRA DO ARTIGO
*
você sabia?
Na América Latina e Caribe cerca de 22 mil mulheres morrem anualmente por causas maternas, a maioria pobre, indígenas,afrobrasileiras, vivendo em zonas vulneráveis ou rurais.
Na região da América Latina e Caribe se realizam todos os anos mais de quatro milhões de abortos induzidos, sendo a maior parte ilegal e, portanto, insegura.
Estima-se que estes procedimentos constituem uma das principais causas
de morte materna.
As 135 milhões de mulheres que sofrem com a brutal prática de mutilação genital feminina em todo o mundo, também sofrem de morbidades maternas,
recém nascidos mortos e morte neonatal, além de estar impedidas de viver uma sexualidade prazerosa.
Em geral, as adolescentes e jovens entre os 15 e 20 anos têm duas vezes mais probabilidade de morrer de parto em comparação com mulheres de mais de 20 anos; e as que têm 15 anos tem cinco vezes mais probabilidade
de falecer. As complicações da gestação e parto representam a principal causa de morte de meninas de 15 a 19 anos em países em desenvolvimento. E ainda as jovens entre 15-19 anos representam uma de cada quatro abortos inseguros, o que significa cinco milhões a cada ano.

A mortalidade materna
no Brasil é subestimada em função do sub-registro, que ocorre pelas seguintes razões: existência de cemitérios clandestinos, ocorrência de partos domiciliares na zona rural, dificuldades de acesso a cartórios, preenchimento incorreto das Declarações
de Óbitos – DO,e desconhecimento da importância do atestado de óbito.(Fonte: Comitê Municipal de Estudos e Prevenção das Mortes Maternas de Porto Alegre – CMEPMM)

Uma boa fonte de dados sobre mortalidade materna é a pesquisa Estudo da Mortalidade de Mulheres de 10 a 49 anos com ênfase na Mortalidade Materna. Realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) através de convênio com a Área Técnica de Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde. A pesquisa, que resultou numa publicação de 124 páginas, foi coordenada pelo professor Ruy Laurenti e contou com a colaboração das professoras Maria Helena Prado de Mello Jorge e Sabina Lea Davidson Gotlieb. Foram investigados óbitos de mulheres em idade fértil (mulheres de 10 a 49 anos) residentes em 24 capitais de estado e no Distrito Federal. A publicação pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http:/www.saúde.gov.br/bvs
Segundo o Ministério da Saúde, as complicações em decorrência do aborto são responsáveis por 11% a 13% dos cerca de 1.650 óbitos maternos registrados anualmente no País. O aborto induzido é a quarta causa da mortalidade materna, superada pela hipertensão arterial, hemorragias e infecções pós-parto, mas em algumas capitais como Salvador, o problema é a principal causa da mortalidade materna. (Fonte: Agência Brasil de 01.05.2008)
A cesárea representa um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de quadros hemorrágicos. Na maioria das vezes, não traz complicações numa gestação, mas predispõe a mulher a problemas em gestação futura. No Brasil, apesar de vários estudos mostrarem que a cesárea mata sete vezes mais que o parto normal, os profissionais continuam abusando desta cirurgia. (Fonte: Uma aula e muitas lições sobre a mortalidade materna – Ana Cristina d’Andretta Tanaka – Jornal da RFS, nº 28, julho de 2006
*Maternidade - óleo de
Livio de Morais, pintor moçambicano

 
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