| Aborto
inseguro, violência e aids: os desafios para a redução
da mortalidade materna |
A
Rede Feminista de Saúde
aponta que a falta de qualidade na assistência
ao parto e ao pré-natal é uma das
principais causas da morte materna no País.
No entanto, chama a atenção para
a feminização da epidemia da Aids,
para a violência de gênero e para
a criminalização do aborto, por
evidenciarem graves violações aos
direitos humanos das mulheres que influenciam
a ocorrência de morte materna. Sem o enfrentamento
deste conjunto de desafios, a Rede vê dificuldades
para a redução dos índices
de mortalidade materna. |
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A
articulação reconhece os avanços
obtidos através do Pacto para a Redução
da Mortalidade Materna e Neonatal, mas considera
pouco provável que o país consiga
cumprir o preconizado pela ONU que é redução
da mortalidade materna em 75% até 2015.
SAIBA MAIS
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Dia
Internacional de Ação pela Saúde
das Mulheres |
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O
Dia Internacional de Ação Pela
Saúde das Mulheres tem como foco os direitos
das mulheres à saúde sexual e
reprodutiva. E desde 1987, participantes de
diferentes organizações e redes
vêm aprofundando questões relacionadas
à morte das mulheres durante a gravidez,
o parto e pós-parto, além das
decorrente de abortos realizados em condições
inadequadas.
MAIS |
| Foto:
Eric Beauchemin |
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| Pelo direito
e a liberdade de decidir |
A Rede de Saúde das
Mulheres Latino- americanas e Caribenhas - RSMLAC
está propondo às mulheres e feministas
de todo o continente repolitizar as demandas
históricas da saúde da mulher
como uma forma de conter os avanços dos
setores conservadores e fundamentalistas que
trabalham contra os direitos das mulheres. LEIA
MAIS |
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ARTIGO/
Telia Negrão |
Com
o título Violência de Gênero
deve ser considerada indicador de Morte Materna,
o artigo da Secretária Executiva da Rede
Feminista de Saúde, Telia Negrão,
apresenta as relações existentes
entre os fenômenos violência e mortalidade
materna no Brasil com um olhar voltado para
a América Latina e Caribe. |
A
autora destaca que várias investigações
relacionam violência e gestação
e violência na gestação,
no entanto sua ligação direta
ou indireta como causa de morte das mulheres
no período considerado como de mortalidade
materna continua sem a devida abordagem e enfatiza
que a morte materna constitui-se numa injustiça
social, um grave problema de saúde pública
e uma violação aos direitos humanos
das mulheres. LEIA
O ARTIGO |
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Redução
de mortalidade materna
exige tratamento amplo do problema |
Em
matéria de Adriana Brendler postada no
site da Agência Brasil em 11 de maio de
2008, o coordenador de Ações Estratégicas
do Ministério da Saúde e do Pacto
pela Redução da Mortalidade Materna
e Neonatal, Adson França, reconhece dificuldades
de alcançar a redução da
mortalidade materna no Brasil nos níveis
propostos pela ONU, mas está otimista.
“Vamos reduzir bastante a mortalidade materna
até o ano de 2015. Estamos buscando isso
de forma persistente e se não chegarmos
lá vamos ter a consciência tranqüila
de que estamos no caminho, envolvendo gestores
e sociedade civil. Se nós tivermos recursos
financeiros e gestores mais comprometidos podemos
sonhar pelo menos em chegar perto”, afirma.
LEIA
MAIS
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Comentários
de Ana Tanaka
são bastante céticos |
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A enfermeira Ana Cristina
d'Andretta Tanaka é uma das mais respeitadas
pesquisadoras sobre morte materna no Brasil. Vinculada
à USP, fez alguns comentários sobre
a passividade da maioria das pessoas frente aos
índices da morte materna.
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| Para
ela, se os números são frios "se
faz necessário dar vida a eles é
isto que os estudos tentam fazer. O que se pode
fazer além dos números é
convencer as pessoas que estão envolvidas
com a assistência materna de que se ela
não for de qualidade poderá resultar
em danos a saúde por vezes irreversíveis”.
Sobre o impacto da violência nesta fase
da vida, ela considera a necessidade de buscar
um esforço adicional para chegar-se a constatações
empíricas. “Como ocorre pouca violência
física, e o que se dá, de modo geral
é a psíquica, essa muito difícil
de ser denunciada, informada e acreditada. Não
sei se a lacuna nesta área será
desvelada, talvez se pegar casos exemplares se
poderá discutir e informar melhor a sociedade”.
No entanto, ao ser perguntada se é possível
identificar avanços quanto ao enfrentamento
da mortalidade materna no Brasil, sua resposta
é curta:" Não, infelizmente
não."
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| Pacto:
RFS reforça ações contra mortalidade
materna |
O
Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade
Materna e Neonatal tem por objetivo articular os atores
sociais mobilizados em torno da melhoria da qualidade
de vida de mulheres e crianças.
A Rede Feminista de Saúde, através de
suas regionais e filiadas, tem feito inúmeras
mobilizações chamando atenção
para os coeficientes e a magnitude da mortalidade materna
no Brasil. LEIA
MAIS |
Mulheres
negras são as mais afetadas pela
mortalidade materna |
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Por
ser um sensível fator de desigual- dades sociais,
a morte materna se reflete em maior índice na
população feminina negra brasileira.
Mulheres negras morrem três vezes mais devido
a problemas ligados a gravidez.
Estudiosos apontam discriminação racial
no atendimento médico. SAIBA
MAIS |
| Rede encaminha
emendas à Resolução do Eurolat |
Emendas
sobre saúde sexual e reprodutiva, enfocando morte
materna e aborto foram encaminhadas pela Rede Feminista
de Saúde ao documento guia da 2ª Sessão
Plenária Ordinária da Assembléia
Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat). Essa reunião
ocorreu de 29 de abril a 1º de maio, em Lima, Peru,
tendo como pauta o combate da pobreza, da exclusão
social e das desigualdades, bem como a preservação
do meio ambiente.
A contribuição da
RFS a esse documento que remete aos compromissos assumidos
pelos países nas Conferências de Cairo
e Beijin se deve ao pronunciamento feito durante a audiência
pública no Parlamento Europeu em Bruxelas, Bélgica,
em 9 de abril último, ao lado de representantes
da Nicarágua, Equador, Venezuela, México
e Chile.
Na oportunidade, a Entidade fez uma exposição
sobre saúde, direitos sexuais, direitos reprodutivos,
com destaque para a questão do aborto no País,
na América Latina e no Caribe e denunciou a forte
pressão que o movimento feminista brasileiro
vem sofrendo por parte dos setores conservadores e fundamentalistas.
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| MEMÓRIA: |
| Documento revela o
compromisso com a vida das mulheres |
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A Rede Nacional Feminista
de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos
Reprodutivos – RFS - desde a sua fundação,
em 1991, tem o tema da morte materna como uma
prioridade de ação política.
Atuação que pode ser percebida
na manchete da primeira edição
do Jornal da Rede (foto), com data de maio de
1992, quando a Organização destacava
que a mortalidade materna era uma “tragédia
cotidiana”.
Ao recuperar esse
documento na atual Campanha 28 de Maio, a Rede
sinaliza a sua histórica trajetória,
na perspectiva feminista, com o fenômeno
das mortes por complicações na
gravidez, parto e puerpério Como também
reaviva a discussão sobre a banalização
e a naturalização da morte materna.
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Rede e movimento de mulheres
monitoram a morte materna na Paraíba |
Desde 2004, a Regional da Rede
Feminista de Saúde da Paraíba em conjunto
com o movimento de mulheres e feministas, comitês
de mortalidade materna e classe médica vem
denunciando os altos índices de morte materna
no Estado.
O grave quadro de morte materna tem um marco histórico.
Em 2005, num período de 24 dias e comprovando
o alto grau de descaso na saúde pública,
seis óbitos maternos ocorreram entre mulheres
jovens, todas negras, provocados por pré-eclâmpsia,
doença hipertensiva da gravidez passível
de tratamento. Todas as mulheres haviam realizado
pré-natal.
O fato ganhou repercusão no País.O Ministério
Público Federal convocou o estado da Paraíba
e o município de João Pessoa a cumprirem
o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC para
que fossem definidas providências urgentes.
Há cerca de um mês, a Rede e a entidade
filiada Cunha agendaram uma audiência com o
Prefeito de João Pessoa. Na pauta, a cobrança
do cumprimento de alguns compromissos assumidos por
ocasião da assinatura do TAC e avaliação
do serviço de apoio às vítimas
de violência sexual (aborto legal) oferecida
por uma maternidade do município.
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| Afinal qual
é o dado certo? |
| Movimento de mulheres e
feministas debate a escolha do índice de
mortalidade materna que deve ser usado.
LEIA A MATÉRIA |
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| A mortalidade
materna em Porto Alegre |
Na
capital gaúcha, de acordo com o relatório
do Comitê Municipal de Estudos e Prevenção
das Mortes Maternas de Porto Alegre – CMEPMM,
as duas principais causas de morte materna, em 2007,
foram a aids e o tromboembolismo pulmonar. LEIA
MAIS
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AMATERNA
vai parar a Esquina Democrática,
dia 28, em Porto Alegre |
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| Simone
Araújo e Carmem Medeiros, da AMATERNA |
Rede Feminista
de Saúde, AMATERNA,
organizações de mulheres e feministas,
promovem, nesta quarta-feira, 28/05, ao meio dia, ato
público na Esquina Democrática. As duas
organizações querem chamar a atenção
para a tragédia denominada morte materna. Em
conjunto com a AMATERNA
e Themis,
a RFS logrou êxito no desarquivamento do processo
sobre a morte de Marina Carneiro, em 2005, que estava
fadado a ser extinto. Além disso, através
da Regional RS, a Rede atua na investigação
de mortes de gestantes no sistema prisional.SAIBA
TUDO |
OPINIÃO
Como enfrentar
a mortalidade materna no Brasil?
Sandra Valongueiro |
As Razões
de Mortalidade Materna estimadas pelo Ministério
da Saúde (54 por 100.000 nascidos vivos, sem
fator de correção e 74 por 100.000 nascidos
vivos, com fatores de correção) colocam
o Brasil numa posição intermediária
entre os paises desenvolvidos e os países em
desenvolvimento...
LEIA A ÍNTEGRA
DO ARTIGO |
* |
| você
sabia? |
Na América Latina e Caribe cerca de 22
mil mulheres morrem anualmente por causas maternas,
a maioria pobre, indígenas,afrobrasileiras,
vivendo em zonas vulneráveis ou rurais. |
Na região da América Latina e
Caribe se realizam todos os anos mais de quatro
milhões de abortos induzidos, sendo a
maior parte ilegal e, portanto, insegura.
Estima-se que estes procedimentos constituem
uma das principais causas
de morte materna. |
As 135 milhões de mulheres que sofrem
com a brutal prática de mutilação
genital feminina em todo o mundo, também
sofrem de morbidades maternas,
recém nascidos mortos e morte neonatal,
além de estar impedidas de viver uma
sexualidade prazerosa. |
Em geral, as adolescentes e jovens entre os
15 e 20 anos têm duas vezes mais probabilidade
de morrer de parto em comparação
com mulheres de mais de 20 anos; e as que têm
15 anos tem cinco vezes mais probabilidade
de falecer. As complicações da
gestação e parto representam a
principal causa de morte de meninas de 15 a
19 anos em países em desenvolvimento.
E ainda as jovens entre 15-19 anos representam
uma de cada quatro abortos inseguros, o que
significa cinco milhões a cada ano. |
A
mortalidade materna
no Brasil é subestimada em função
do sub-registro, que ocorre pelas seguintes
razões: existência de cemitérios
clandestinos, ocorrência de partos domiciliares
na zona rural, dificuldades de acesso a cartórios,
preenchimento incorreto das Declarações
de Óbitos – DO,e desconhecimento
da importância do atestado de óbito.(Fonte:
Comitê Municipal de Estudos e Prevenção
das Mortes Maternas de Porto Alegre –
CMEPMM)
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Uma boa fonte de dados
sobre mortalidade materna é a pesquisa
Estudo da Mortalidade de Mulheres de 10 a 49
anos com ênfase na Mortalidade Materna.
Realizada pela Faculdade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo (FSP/USP)
através de convênio com a Área
Técnica de Saúde da Mulher, do
Ministério da Saúde. A pesquisa,
que resultou numa publicação de
124 páginas, foi coordenada pelo professor
Ruy Laurenti e contou com a colaboração
das professoras Maria Helena Prado de Mello
Jorge e Sabina Lea Davidson Gotlieb. Foram investigados
óbitos de mulheres em idade fértil
(mulheres de 10 a 49 anos) residentes em 24
capitais de estado e no Distrito Federal. A
publicação pode ser acessada,
na íntegra, na Biblioteca Virtual em
Saúde do Ministério da Saúde:
http:/www.saúde.gov.br/bvs |
Segundo o Ministério
da Saúde, as complicações
em decorrência do aborto são responsáveis
por 11% a 13% dos cerca de 1.650 óbitos
maternos registrados anualmente no País.
O aborto induzido é a quarta causa da
mortalidade materna, superada pela hipertensão
arterial, hemorragias e infecções
pós-parto, mas em algumas capitais como
Salvador, o problema é a principal causa
da mortalidade materna. (Fonte: Agência
Brasil de 01.05.2008) |
A cesárea representa
um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento
de quadros hemorrágicos. Na maioria das
vezes, não traz complicações
numa gestação, mas predispõe
a mulher a problemas em gestação
futura. No Brasil, apesar de vários estudos
mostrarem que a cesárea mata sete vezes
mais que o parto normal, os profissionais continuam
abusando desta cirurgia. (Fonte: Uma aula e
muitas lições sobre a mortalidade
materna – Ana Cristina d’Andretta
Tanaka – Jornal da RFS, nº 28, julho
de 2006 |
*Maternidade
- óleo de Livio
de Morais, pintor moçambicano |
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