Assumir o uso da denominação LGBT - Lésbicas,
Gays, Bissexuais e Transgêneros - não atende apenas
a uma antiga reivindicação das lésbicas,
nem somente porque as lésbicas são duplamente
discriminadas - como mulheres e pela orientação
sexual. Colocar o L na frente é sobretudo reconhecer
a existência da homofobia que atinge toda a população
LGBT.
A homofobia desqualifica tudo o que é afeminado, tudo
que é determinado pelo patriarcado, como sendo formas
de ser mulher: delicada, dispersa, emotiva, histérica,
ser falante, sentimentalista, romântica, apaixonada, agir
com o coração e não com a razão,
educada. Bem como gentil, ter afeição às
crianças, ser vaidosa, frágil e tantos outros
atributos usados para determinar como devemos ser.
Os homens, independente de sua orientação sexual,
portanto incluindo homens heterossexuais, quando apresentam
alguns desses atributos, tem, na sua existência, sua masculinidade
questionada. O machismo, ao dirigir-se a uma pessoa como mulherzinha,
bonequinha, mariquinha, está dizendo que ela vale menos,
diz que ela é inferior. Portanto, a intenção
é de ofender, de desqualificar.
O inverso, ainda afeta as mulheres, quando essas são
duronas, firmes. decididas, determinadas, corajosas ou independentes.
Não importa qual a orientação sexual, são
consideradas machonas, sapatonas, Maria-João, portanto,
não se adequam ao papel que lhes foi determinado e a
subversão dessa ordem, é desaconselhável
pelo patriarcado, já que serão marcadas pela infâmia.
Compreender a importância e o sentido de justiça
que carrega de simbolismo colocar o L na frente é expressar
uma atitude feminista e de combate franco e sincero à
homofobia que cruelmente afeta a população LGBT.
Esse compromisso deve ser assumido pelas travestis, que nascendo
com um corpo de homem e travestindo-se de mulher, com nomes,
roupas e expressões femininas, para pessoas homofóbicas
e machistas, elas devem ser exterminadas, pois representam a
negação de tudo o que é considerado próprio
dos homens, ser macho, varonil, forte, enérgico, ativo,
ou seja, figurativamente representantes da própria humanidade.
Marisa Fernandes*