Por falta de quorum não foi realizada nesta terça-feira
a reunião da Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara Federal,
para discutir o Projeto de Lei 1135/91, que descriminaliza o
aborto provocado pela própria gestante ou com seu consentimento.
Apenas 29 deputados votaram, quando eram necessários
31 votos para a continuidade da reunião. O deputado José
Genoíno (PT-SP) pediu verificação dos votos
para a ata da reunião anterior da CCJ, que tinha sido
aprovada por votação simbólica, ou seja
quando não há registro individual de votos.
Ele continuará usando desta estratégia para adiar
a discussão e votação do projeto. Ele alegou
que a comissão não deveria iniciar essa discussão
agora, momento "de correria de fim de semestre" e
de debate eleitoral. Genoíno ressaltou que é preciso
respeitar a natureza do tema, os lados contrário e favorável
à descriminalização do aborto. Entre os
recursos regimentais, o deputado já pediu para ser discutida
a ata da reunião anterior da comissão. O deputado
José Genuino elaborou um voto em separado. Leia
Aliado dos setores mais conservadores do Congresso, o presidente
da comissão, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e relator
do projeto, marcou reunião extraordinária para
esta quarta-feira, às 9 horas, para discutir e votá-lo.
Ao contrário do que defende o movimento de mulheres e
o próprio STF que na votação sobre células
tronco descartou que o Brasil defenda a vida desde a concepção,
este deputado defende que descriminalização do
aborto é inconstitucional por ferir o direito à
vida.
A proposta foi discutida em duas audiências públicas
na semana passada, reunindo representantes do meio jurídico,
de organizações não-governamentais, pesquisadores
e políticos e de religiosos e representantes de movimentos
feministas. Para a secretária executiva da Rede Feminista.
Telia Negrão, a criminalização do aborto
é altamente ineficaz para impedir que as mulheres o façam,
mas é altamente eficaz para colocar as mulheres em risco
de vida, e até levá-las à morte. Leia íntegra
do artigo da Secretária Executiva da RFS, Telia Negrão.
Segundo ela, “para os fundamentalistas no Congresso,
as mulheres devem ser tuteladas, não passam de hospedeiras
de fetos, são assassinas e libertinas e não pessoas
integrais com capacidade e autonomia para decidir”.
O Juiz Roberto Lorea, membro do Conselho Diretor da Comissão
de Cidadania e Reprodução (CCR) e da Red Iberoamericana
por las Libertades Laicas, desmontou na audiência os argumentos
dos conservadores. Leia artigo