Filiadas da Rede reafirmam a atenção integral
à saúde das mulheres e a defesa do SUS de qualidade
As feministas brasileiras e do mundo inteiro têm destacado
a importância da Conferência Internacional da ONU
sobre População e Desenvolvimento realizada no
Cairo,Egito, em 1994 e da Quarta Conferência Mundial Sobre
a Mulher, em Pequim, 1995, como referências fundadoras
da inclusão da sexualidade na pauta dos direitos humanos.
Pela primeira vez em um documento internacional - o Plano de
Cairo - introduziu o conceito de direitos reprodutivos, “enfatizando
as necessidades de saúde reprodutiva inter-relacionadas
com outros direitos sociais e individuais”.
Segundo esta Conferência, a saúde reprodutiva e
sexual passa a ser considerada como um completo estado de bem-estar
físico, mental e social e não apenas a ausência
de doença ou enfermidade. A saúde reprodutiva
implica, portanto, que as pessoas estejam aptas a ter uma vida
sexual satisfatória e segura, que tenham a capacidade
de reproduzir-se e a liberdade de decidir fazê-lo e, quando
e quantas vezes desejarem.
Resgatando a essência deste conceito, as participantes
do Seminário Nacional Implementando os Marcos de Saúde
Integral das Mulheres, dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
em Porto Alegre, dias 25 a 27 de junho, em Porto Alegre, debateram
por três dias sobre os cenários para o exercício
dos direitos sexuais e reprodutivos, as causas de adoecimento
e morte de mulheres, e aprofundaram os diálogos acerca
de morte materna, aborto, violência, câncer e, HIV.
A conclusão foi de que não se pode abrir mão
de um conceito tão fundante da luta contemporânea
das mulheres pela saúde, que é a integralidade.
Esta retomada da agenda, como foi explicitado por Mazé
Araújo, recoloca a Rede Feminista em sua grande missão
de estar a todo momento aprofundando sua ação
e enfrentando novos desafios. Entre eles, o de considerar a
saúde mental das mulheres em todas as elaborações,
e compreender a importância dos processos subjetivos nas
noções de saúde e doença. “Os
suicídios de mulheres não podem ser vistos mais
como meros eventos, senão como expressões de dor
e de momentos de vida que devem ser tratados pelas políticas
públicas”.
Novas agendas
A riqueza do debate propiciado pelo encontro permitiu à
Rede Feminista identificar novas agendas, destacando-se o câncer
de mama e cérvico-uterino, a feminização
do HIV/Aids, a saúde mental, o uso do tabaco e do álcool,
além das agendas já trabalhadas pelas filiadas,
como a mortalidade materna, aborto inseguro e violência
gênero.
Este resgate nos permite, segundo Bel Baltar, também
ex-secretária executiva da Rede, visualizar novas perspectivas
pára a Rede com a certeza de que “esta articulação
é indispensável à luta das mulheres. Este
momento é, certamente, refundador da Rede”, disse
Bel.
Defesa do SUS
O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos
e universais de saúde de todo o mundo. O SUS resultou
de longo e intenso trabalho dos movimentos sociais, frutificou
da reforma sanitária e foi assumido pelo movimento de
mulheres. A Rede Feminista, através de suas filiadas,
integra as instâncias de controle social do SUS e lutam
para que a saúde pública no país tenha
qualidade e seja acessível a todas as mulheres. Ademais,
as mulheres lutam para que as três esferas de governo
cumpram com sua parte nos investimentos, de forma a assegurar
o financiamento do sistema.
Defender o SUS dos sistemáticos ataques dos setores conservadores
e privativistas, para que seja mantido público e forte
e resistir às tentativas de criação de
mecanismos que o tornam menos público, é um desafio
ao qual a Rede vem se somando há muitos anos. A defesa
do SUS foi reafirmada na 13ª Conferência Nacional
de Saúde no ano passado e referendada no 10º Encontro
da Rede Feminista, como um dos eixos estruturantes de sua ação.
Um SUS de qualidade para todas as mulheres foi a consigna deste
encontro, aberto com o Seminário
O evento realizado em Porto Alegre congregou cerca de 100 mulheres,
mais de 70 delegadas e convidadas, representantes do movimento
de mulheres e feministas de 12 regionais e cinco pontos focais
localizados em 17 estados. A defesa da saúde integral
das mulheres esteve presente em todos os debates.