ABEn
solicita filiação à Rede Nacional Feminista
de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
*Telma
Ribeiro Garcia
A
sintonia existente entre o compromisso da ABEn de propor e
defender políticas e programas que visem a melhoria
da qualidade de vida e o acesso universal e equânime
da população aos serviços de saúde,
e os princípios da Rede Feminista de Saúde,
entre os quais ressalta-se a defesa da implantação
e implementação de ações integrais
de saúde da mulher, no âmbito do Sistema Único
de Saúde (SUS), foi compreendida pelos participantes
da 54ª Reunião do CONABEn, que assumiram, em novembro
de 2007, a decisão histórica de firmar a entidade
como FEMINISTA e de aprovar a solicitação de
sua filiação à Rede.
Com essa filiação
a ABEn constitui uma nova aliança, tendo como meta
a concretização dos princípios do SUS.
A Rede Feminista de saúde, por seu turno, cumpre sua
finalidade de articular grupos de mulheres, organizações
não-governamentais, núcleos de pesquisa, organizações
sindicais/profissionais (a exemplo da ABEn) e conselhos de
direitos da mulher, além de profissionais de saúde
e ativistas feministas que desenvolvem trabalhos políticos
e de pesquisa nas áreas da saúde da mulher e
dos direitos sexuais e reprodutivos.
A filiação reforça o eixo de atuação
da ABEn na defesa e consolidação do trabalho
da Enfermagem como prática social, essencial à
assistência de saúde e à organização
e funcionamento dos serviços de saúde. A Associação
tem garantido a representação dos trabalhadores
de Enfermagem em instâncias de apoio e luta pelos direitos
à saúde da população, pelo exercício
digno e desenvolvimento da profissão, e pela redução
e eliminação das desigualdades sociais, dentre
as quais se destacam as desigualdades de gênero. Neste
particular, a filiação à Rede pode colaborar
para a reflexão sobre uma realidade: a Enfermagem representa
60,2% do total de trabalhadores da saúde e permanece
uma profissão de mulheres ou (destinada) para mulheres.
O campo do trabalho da Enfermagem ainda pode ser caracterizado
como um verdadeiro “gueto ocupacional” feminino
pois, no Brasil, dentre cerca de um milhão de profissionais
de Enfermagem, aproximadamente 85% são mulheres. Em
vista disso, a profissão continua a ser penalizada
em todos os aspectos que envolvem a valoração
do trabalho feminino, determinando a necessidade de uma luta
contínua pelo reconhecimento de competências,
da eficácia e da singularidade de seu trabalho, mais
rico e complexo do que parece.
A Rede tem princípios e objetivos que buscam humanizar
as questões da saúde da mulher e dos direitos
sexuais e reprodutivos. Uma visão compatível
com os valores da integralidade, eqüidade e justiça
presentes no histórico da ABEn.
A partir da decisão do CONABEn, uma solicitação
formal de filiação foi encaminhada à
Secretaria Executiva da Rede, devendo ser apreciada pelo Colegiado
dessa entidade por ocasião do Seminário “Implementando
os marcos de saúde integral das mulheres – a
mortalidade materna, desafio latino-americano”, que
acontecerá em Porto Alegre-RS em junho de 2008.
* 1ª Secretária da ABEn Nacional