INFORMATIVO 06 - 18/ABRIL/ 2008
Esquerda feminista européia acompanha relato da RFS
A fala da secretária executiva da RFS, Telia Negrão, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, Bélgica, teve boa repercussão, segundo os registros da mídia eletrônica. Tratou-se de uma audiência pública realizada no dia 9 de abril sobre a saúde reprodutiva das mulheres da América Latina, promovida pelo Grupo de União das Esquerdas do Parlamento, composto majoritariamente por mulheres. Um evento muito articulado com os movimentos feminista, de mulheres e de direitos humanos da Europa, e que teve a presença também de agências de cooperação internacional e das Nações Unidas.

Telia Negrão, a última a falar, depois do Equador, Colômbia, Chile, Venezuela e Nicarágua, fez um apanhado sobre a saúde sexual e reprodutiva das mulheres brasileiras e os obstáculos ao exercício deste direito. Ela denunciou as pressões da Igreja Católica sobre as políticas públicas voltadas para os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, bem como a formação de blocos parlamentares na Câmara Federal e no Senado para impor derrota a qualquer tentativa de avanço.
Após a sua fala, o debate versou sobre o novo cenário que está sendo criado para o debate e a garantia do aborto na Europa e nos outros continentes. Há a constatação de que a entrada de países do leste europeu no Parlamento Europeu fortaleceu o bloco conservador no plenário. Como deliberação desta sessão do parlamento, foi encaminhada uma resolução das parlamentares do bloco de esquerda para a Assembléia Parlamentar Euro-latino-americana (Eurolat) que está com uma agenda marcada para 29 de Abril a 1º de Maio, em Lima, Peru. O tema da resolução é o aborto na América Latina e Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos das mulheres latino-americanas e caribenhas.

A Eurolat - formada por deputados europeus e outros parlamentares latino-americanos - defende maior solidariedade internacional por parte dos países europeus para com a América Latina e Caribe. E neste aspecto, questões como a pobreza e assuntos pertinentes à área dos direitos humanos e direitos sexuais e direitos reprodutivos merecem toda atenção.

Na análise da bancada feminista, a partir dos depoimentos na audiência no Parlamento Europeu, uma das constatações é que a globalização capitalista não resolve os problemas das mulheres e por isso é necessário que se formule soluções alternativas nos campo social, econômico e político. Por outro lado, apontam, um outro grande desafio é o que está relacionado com as religiões que têm jogado um papel negativo quando se trata da saúde reprodutiva das mulheres.
No relatório a ser apresentado na reunião da Eurolat, que trata sobre pobreza e exclusão das mulheres, serão feitas emendas a partir das denúncias apresentadas quando da reunião no Parlamento Europeu. Esse encontro será acompanhada por integrantes da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC).

No Parlamento Europeu,
Telia Negrão com Flores Mejía,
da Sociedade Nicaraguense
de Ginecologia e Obstetricia

Telia e a deputada
Ilda Figueiredo, de Portugal