A fala da secretária
executiva da RFS, Telia Negrão, no Parlamento Europeu,
em Bruxelas, Bélgica, teve boa repercussão,
segundo os registros da mídia eletrônica. Tratou-se
de uma audiência pública realizada no dia 9
de abril sobre a saúde reprodutiva das mulheres da
América Latina, promovida pelo Grupo de União
das Esquerdas do Parlamento, composto majoritariamente por
mulheres. Um evento muito articulado com os movimentos feminista,
de mulheres e de direitos humanos da Europa, e que teve
a presença também de agências de cooperação
internacional e das Nações Unidas.
Telia Negrão, a última a falar, depois do
Equador, Colômbia, Chile, Venezuela e Nicarágua,
fez um apanhado sobre a saúde sexual e reprodutiva
das mulheres brasileiras e os obstáculos ao exercício
deste direito. Ela denunciou as pressões da Igreja
Católica sobre as políticas públicas
voltadas para os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres,
bem como a formação de blocos parlamentares
na Câmara Federal e no Senado para impor derrota a
qualquer tentativa de avanço.
Após a sua
fala, o debate versou sobre o novo cenário que está
sendo criado para o debate e a garantia do aborto na Europa
e nos outros continentes. Há a constatação
de que a entrada de países do leste europeu no Parlamento
Europeu fortaleceu o bloco conservador no plenário.
Como deliberação desta sessão do parlamento,
foi encaminhada uma resolução das parlamentares
do bloco de esquerda para a Assembléia Parlamentar
Euro-latino-americana (Eurolat) que está com uma
agenda marcada para 29 de Abril a 1º de Maio, em Lima,
Peru. O tema da resolução é o aborto
na América Latina e Direitos Sexuais e Direitos
Reprodutivos das mulheres latino-americanas
e caribenhas.
A Eurolat - formada por deputados europeus e outros parlamentares
latino-americanos - defende maior solidariedade internacional
por parte dos países europeus para com a América
Latina e Caribe. E neste aspecto, questões como a
pobreza e assuntos pertinentes à área dos
direitos humanos e direitos sexuais e direitos reprodutivos
merecem toda atenção.
Na análise da bancada feminista, a partir dos depoimentos
na audiência no Parlamento Europeu, uma das constatações
é que a globalização capitalista não
resolve os problemas das mulheres e por isso é necessário
que se formule soluções alternativas nos campo
social, econômico e político. Por outro lado,
apontam, um outro grande desafio é o que está
relacionado com as religiões que têm jogado
um papel negativo quando se trata da saúde reprodutiva
das mulheres.
No relatório a ser apresentado na reunião
da Eurolat, que trata sobre pobreza e exclusão das
mulheres, serão feitas emendas a partir das denúncias
apresentadas quando da reunião no Parlamento Europeu.
Esse encontro será acompanhada por integrantes da
Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do
Caribe (RSMLAC).