Rede
Feminista de Saúde exige da Susepe esclarecimentos
sobre a morte de gestante no presídio de Ijuí
A Rede Nacional
Feminista de Saúde cobrou da Superintendência
dos Serviços Penitenciários - Susepe - informações
mais concretas sobre as circunstâncias da morte da gestante
Claudia de Oliveira Guterres Amaral ocorrida, em janeiro deste
ano, na Penitenciária Modulada de Ijui (RS). A grávida,
de sete meses, morreu, com hemorragia generalizada, após
ter passado pela revista íntima. Em e-mail encaminhado
à Regional RS da RFS, o Superintendente da Susepe,
Geraldo Bertolo, prometeu averiguar o caso e dar retorno,
o mais breve possível, à Organização.
A
manifestação exigindo maior rigor na apuração
das responsabilidades foi da coordenadora da Regional Sul
da RFS, Maria Noelci Teixeira Homero, quando da realização
da Audiência Pública, coordenada pela Comissão
de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa/RS,
que discutiu a situação do sistema prisional
e, especialmente, a portaria nº. 145 – SSP/RS de
28 de novembro de 2007.
Esta portaria dispõe sobre o regulamento geral para
ingresso de visitas e materiais em estabelecimentos prisionais,
ou seja, o retorno da revista íntima nos familiares
dos presos quando de suas visitas nos presídios gaúchos.
A audiência, ocorrida na quarta-feira, 9/04, foi resultado
de uma série de ações desenvolvidas pela
Rede, em conjunto com entidades filiadas e parceiras, após
ter encaminhado denúncia ao Ministério Público
Estadual.
Na ocasião, o presidente da Comissão de Cidadania
e Direitos Humanos, deputado Marquinho Lang (DEM), disse discordar
da revista íntima em familiares. Segundo ele, o procedimento
deveria ser adotado nos presos, ao sair e retornar às
celas nos dias de visita, evitando assim que drogas, celulares
e outros objetos estejam em seu poder.
Em seu depoimento a respeito deste procedimento nos presídios
gaúchos, Geraldo Bertolo afirmou que a volta da revista
íntima não fere a dignidade humana, pois ela
é feita por pessoas do mesmo sexo. "Não
se trata de constrangimento, mas de segurança à
vida das pessoas que estão dentro e fora dos presídios".
Igual pensamento tem o diretor do Departamento de Segurança
e Execuções Penais da Susepe, Roberto Weber,
ao dizer que a portaria é uma medida necessária
e de segurança, por um certo período de tempo,
para evitar a entrada de drogas e armas.
A informação de Weber foi amplamente contestada
pelas representantes das organizações feministas,
de mulheres e direitos humanos. Todas ponderaram que a revista
íntima é constrangedora, violadora dos direitos
humanos e desnecessária devido ao baixo volume de objetos
apreendidos. De acordo Dóris Couto, integrante da Coordenação
Estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos é
de aproximadamente 1% o material aprendido quando das visitas
dos familiares.