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Informativo 07 - 28 DE MAIO de 2008
DIA INTERNACIONAL DE AÇÃO PELA SAÚDE DA MULHER / DIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA
Simone e Carmem
 
 
 
 
 
 
AMATERNA vai parar a Esquina Democrática,
dia 28, em Porto Alegre
A Associação Nacional Marina Carneiro de Familiares e Amigas (os) de Vítimas de Morte Materna – AMATERNA, entidade filiada à Rede Feminista de Saúde, realiza ao meio dia do dia 28 de maio, na Esquina Democrática, grande ponto de expressão da opinião pública de Porto Alegre, um ato para chamar atenção e informar a população sobre a gravidade da morte materna. No Brasil, o 28 de Maio é definido pelo Ministério da Saúde como o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna numa adesão ao Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher.
Nesse dia, com apoio das organizações filiadas à RFS, será montada uma instalação que mesclará tapetes de rosas brancas, esquetes teatrais, cartazes com históricos e fotos das vítimas, diálogos com o público e distribuição de panfletos para que todos tenham uma compreensão mais ampla desse fenômeno - morte materna - presente em todas as classes sociais mas agravado pela pobreza e pelo racismo. Em Porto Alegre, no ano de 2007, morreram mulheres em idade fértil, sendo que 22 foram óbitos maternos.
A AMATERNA é coordenada por Carmem Medeiros e Simone Araújo Machado. A primeira, mãe de Marina que faleceu, aos 25 anos, logo após o parto de sua filha Manuela, em 3 de março de 2006. Marina morreu devido à negligência médica no acompanhamento de pré-natal e durante o parto no procedimento cirúrgico de cesariana e no tratamento pós-parto.
Marina Carneiro
Simone é irmã de Vânia, feminista, ex-Coordenadora da Mulher do Governo do Estado do RS, falecida em 2000, dias depois de complicações decorrentes do parto de seu filho Cauê que morreu após o nascimento. Estes dois casos apontam que a mortalidade materna não é um fenômeno que pode ser vinculado apenas às condições socioeconômicas das mulheres, como pode ser verificada na matéria que abre este informativo on line.
Vânia Araújo (arte s/foto de Luiz Abreu)

AÇÕES JURÍDICAS - A Associação nasceu de uma iniciativa da Rede Feminista de Saúde e é uma estratégia de ação que aglutina e dá voz a familiares e amigos de vítimas de morte materna, contribuindo assim para que estas mulheres deixem de ser apenas um número nas estatísticas e tenham nome e histórias de vida resgatada.
Entre os seus objetivos está o de apoiar moral e juridicamente as famílias, lutar para responsabilizar o estado brasileiro por essas mortes e resgatar a dignidade e a memória das mulheres vítimas de problemas durante a gravidez que levam à morte materna.

As mortes de Marina Carneiro e Vânia Araújo Machado resultaram em ações jurídicas encaminhadas e acompanhadas pela Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, organização filiada à Rede. A advogada Rubia Abs da Cruz, coordenadora geral da Themis, informa que em parceria com o Ministério Público foi solicitado o desarquivamento do Inquérito Policial que, à época, investigou precariamente o caso de morte materna de Marina Carneiro.
No caso de morte materna de Vânia Machado, a Themis encaminhou a realização de uma Sindicância Médica que constatou a negligência e imperícia médica. Fatos que resultaram em dois processos. Um junto ao CREMERS – Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul - e outro junto à Vara Criminal por dois homicídios culposos.
O médico foi condenado em 1º e 2º grau de jurisdição por homicídio culposo, tendo cumprido pena de multa de 20 salários mínimos e de prestação de serviço comunitário.
Houve condenação no CREMERS e junto ao Conselho Federal de Medicina, entretanto, a pena aplicada, de advertência privada, não condiz com a gravidade dos fatos. O processo de indenização ainda encontra-se em andamento.

Além desses dois casos, a Rede Feminista de Saúde, através da Regional RS, vem atuando na cobrança de investigação de mortes de gestantes no sistema prisional. Para tanto, encaminhou denúncias ao Ministério Público Estadual e obteve a realização de uma Audiência Pública, coordenada pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa/RS.

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