"A mortalidade materna é definida
como sendo o óbito de uma mulher durante a gestação
ou dentro de um período de 42 dias após o parto, devido
a qualquer causa relacionada à gestação ou agravada
por ela.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice
de 20 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos é aceitável;
entre 20 e 49 mortes, é considerado médio; entre 50 e
149 mortes é alto e, acima de 150, muito alto.
No Brasil, a taxa oficial de mortalidade
materna é de 75 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos
vivos. Algumas organizações que trabalham com saúde
da mulher, no entanto, consideram este valor muito abaixo do índice
real que, segundo outras fontes poderia chegar a 140.
Segundo o critério usado pelo Fundo das
Nações Unidas para a Infância, o número real
de mortes maternas no Brasil é o triplo do oficialmente registrado.
No mundo inteiro, mas de 500 mil mulheres morrem anualmente por causas
relacionadas à gravidez ou ao parto, a maioria nos países
pobres, por falta de atendimento médico adequado tanto para as
que desejam ter o filho quanto para as que optam pelo aborto.
O Fundo de População das Nações
Unidas (Unfpa) acredita que cerca de 13% das mortes maternas são
causadas por abortos realizados em más condições.
As principais causas da mortalidade materna - hipertensão arterial,
a hemorragia, as complicações decorrentes do aborto realizado
em condições inseguras, a infecção pós-parto
e as doenças do aparelho respiratório - poderiam ser evitadas
com o aumento do acesso a serviços de saúde de qualidade,
com a qualificação dos profissionais, com a humanização
do atendimento. A ampliação do acesso a políticas
de controle de natalidade e do número de serviços voltados
para a mulher vítima de violência sexual também
são medidas que poderiam contribuir para a redução
das taxas de mortalidade materna.
Para tentar chamar atenção para o problema, participantes
do IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, realizado na Holanda,
em 1984, escolheram o dia 28 de maio como Dia Internacional de Luta
pela Saúde da Mulher. Em 1994, durante a Conferência Internacional
sobre População e Desenvolvimento, realizada no Egito,
mais de 170 países, inclusive o Brasil, assinaram a Plataforma
de Ação da Conferência do Cairo, na qual se comprometem
a reduzir de maneira significativa a mortalidade materna até
2015.
Desde 1948, o governo brasileiro tem realizado convenções,
pactos e planos de ação que visam garantir os direitos
sexuais e reprodutivos de mulheres e homens. Em 1984, o Ministério
da Saúde elaborou o
Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher
(Paism).No dia 8 de março de 2004, o presidente Lula lançou
o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e
Neonatal, cuja meta era reduzir os atuais índices de mortalidade
materna e neonatal em 75%, até 2015.
Dentre as principais ações previstas no Pacto, é
possível destacar: a articulação de programas governamentais
que tratem da Saúde da Mulher, da Criança, do Adolescente,
Programa de Saúde da Família, Urgência e Assistência
Farmacêutica; o estímulo à participação
dos conselhos estaduais e municipais de saúde na definição
de conteúdos e estruturação do pacto nacional;
a qualificação e
humanização da atenção ao parto, ao nascimento
e ao aborto legal; ampliação do acesso ao planejamento
familiar; e garantia à gestante o direito ao acompanhamento antes,
durante e depois do parto, incluindo alojamento conjunto; e apoio às
ações de suporte social para gestante e recém nascidos
de risco."
*Portal ENSP
http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=10604
25/05/2008