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Informativo 07 - 28 DE MAIO de 2008
DIA INTERNACIONAL DE AÇÃO PELA SAÚDE DA MULHER / DIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA
ÁFRICA
Óleo de Livio de Morais
 
 
 
 
Mulheres negras são as mais afetadas
pela mortalidade materna

Abordar a saúde das mulheres negras é considerar os dados sócios-econômicos, uma vez que no Brasil, 85% da população feminina afrodescendente está abaixo da linha de pobreza. E, isto significa que esse grupo está distante da qualidade dos serviços de saúde, da assistência ao pré-natal e ao parto, sofrendo o risco de contrair e morrer de determinadas doenças em número bem superior aos registrados por mulheres brancas.

Os indicadores demonstram que em nosso país, como bem acentuou Wânia Sant’Anna, pesquisadora e redatora do Dossiê Assimetrias Raciais no Brasil: alerta para a elaboração de políticas públicas, editado pela RFS, “a dimensão racial constitui um desafio à implementação de políticas públicas dada a distância existente entre os níveis de bem-estar da população branca e da afro-descendente em todas as regiões do país “.
Igual pensamento tem Alaerte Leandro Martins, enfermeira, doutora em Saúde Pública, filiada à Rede Feminista de Saúde e especialista da temática quando afirma que “a mortalidade materna ocorre principalmente entre as mulheres de baixa renda e escolaridade, portanto acomete diretamente as mulheres negras, pois estas moram nas periferias das grandes cidades e conseqüentemente afastadas dos serviços e profissionais de qualidade na área da saúde”.

NEGRAS SÃO DISCRIMINADAS - Ela também salienta que a morte materna é um indicador, sim, de desigualdade social. E justifica que são raros os casos de ocorrência de óbitos em mulheres com boa renda e escolaridade. Alaerte Leandro relembra a morte da gaúcha Marina Carneiro, 25 anos, um caso de mortalidade materna emblemático, “que evidencia a péssima assistência de determinados serviços privados demonstrada pela utilização de protocolos próprios pelos profissionais por desconhecimento ou nenhuma experiência por parte de recém-formados.

Um outro aspecto por ela destacado são as dificuldades e limitações na formação de profissionais das áreas de medicina e enfermagem “nas quais muitos não aprendem a partejar e sequer analisar exames de rotina como um simples exame de urina”.

Além disso, Alerte Leandro enfatiza que não se pode perder de vista o racismo institucional presente de forma arraigada nos serviços e organizações de saúde que afeta sensivelmente as mulheres negras, fazendo com que recebam tratamento desigual e, ainda, mais precário do que as mulheres brancas, limitando o acesso das primeiras aos serviços, na medida em que são mal-atendidas. Assim, por conta dessa prática discriminatória, as mulheres negras têm agravados determinados quadros que poderiam evoluir favoravelmente.

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