A Rede Nacional Feminista de Saúde
Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos foi criada em
agosto de 1991. Surgiu da mobilização de ativistas
feministas, durante o Seminário Nacional Feminista de
Saúde e Direitos Reprodutivos, promovido em Itapecerica
da Serra (SP), pelo SOS Corpo – Gênero e Cidadania, de
Recife (PE), e pelo Coletivo Feminista Sexualidade, de
São Paulo (SP). A médica especialista em pediatria e
saúde da mulher e em políticas públicas, Maria José de
Oliveira Araújo - Mazé Araújo, segunda
secretária-executiva da Rede, presente ao encontro,
lembra que a entidade nasceu com o apoio de mais de 40
grupos de mulheres presentes ao evento. “A idéia tomou
corpo e alma a partir da reflexão de que o coletivo é
mais forte do que o individual, e de que, juntas,
poderíamos contribuir com maior peso para o avanço das
políticas públicas das mulheres”, revela.
Parte dessa história inicial da Rede foi apresentada por
Mazé Araujo por ocasião do Seminário Em direção a Cairo+
20: Agendas Pendentes e Perspectivas em Saúde, Direitos
Sexuais e Direitos Reprodutivos, São Paulo, em 19 de
novembro de 2010. Em sua fala, a médica e também
relatora do Direito à Saúde Sexual e Reprodutiva da
Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos,
Sociais, Culturais e Ambientais – Plataforma Dhesca
Brasil, relembrou que a “iniciativa da criação da Rede
Feminista foi fundamental na conjuntura histórica e na
trajetória do movimento de mulheres e ativistas
feministas em sua luta por saúde e direitos sexuais e
reprodutivos”.
Inicialmente a Rede, hoje presente no território
nacional através de suas regionais e pontos focais,
esteve abrigada no SOS Corpo – Instituto Feminista para
a Democracia, tendo como primeira secretária-executiva
Maria Betânia Ávila. Mazé Araujo destacou que, desde o
momento da sua criação, a idéia de uma rede de saúde se
relacionou “com os paradigmas de cidadania, participação
social e monitoramento das políticas públicas”. Ela
afirmou que, quando de sua criação, essa articulação
feminista significava a construção coletiva de saberes e
a necessidade de um novo olhar sobre as políticas
públicas de saúde para as mulheres que por fim se
traduziram em valiosos aportes teóricos e práticos,
“influenciando de diversas formas os discursos e o
cotidiano de setores da sociedade, tanto governamental
como não governamental”.
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